POSTADO PELO GIBRA NO DIA 22/06/2017 ás 15:06

Calor Humano

por Fred Fonseca

Acordei no meio da noite. Uma chama interna que me fez borrifar o extintor de incêndio de pó químico, bem dentro da minha garganta. O alívio veio, mas também trouxe a memória que justificou aquilo tudo. Acontece que desde que passei um tempo no inferno e lá engoli aqueles sapos indigestos, comecei a cultivar esse jardim flamejante noturno. Graças a ele, floresço em chamas na madrugada fria e vago desperto depois de deitar o dragão que carrego em mim. Sempre quando fico em pé, fico em ócio criativo. A ansiedade contemporânea de não perder tempo, te faz criar formas de criar. E crendo na culpa da janta ou do vinho com alguma oferenda regada com especiarias, a coisa vai sendo consumido por dentro. Não pela duvida. Mas pela certeza de que o fogo interno que não está ardendo na temperatura paixão, ferve a barriga pra esquentar o coração de alguma maneira.

Um dia, saído pra sanar a duvida da certeza se protelar. Fui numa especialista de nome especial e seu apontamento foi acachapante. Havia uma vida em curso no meu ventre. E era essa a responsável por me chamar de noite pra cozinhar a mim mesmo. Pra acalentar o meu coração no meio da madrugada, pra me lembrar de pensar em mim mesmo e saber que estou vivo. A vida que carrego a mais, parecia não caber pra sempre em mim, pois a especialidade da especialista é propor fins. Assim, desenhou uma mensagem pra comprar os comprimidos. Eu frustrado, não sabia se o caminho do copo d’água era melhor que a companhia da inevitável madrugada. Diante da possibilidade de não ter mais a possibilidade de poder estar na hora errada e no lugar errado, apavorei e rasguei o papel que recomendava seguir a nova rotina de dormir a noite inteira e sofrer de outra forma tudo aquilo que devemos digerir, mas sempre tentamos evitar. A vida que carrego dentro de mim, fervem o meu mundo madrugada de ideias e ideais. As bactérias do meu estômago são necessárias companhias, pois não opinam e agem sempre diretamente na minha azia.19349304_10155050029864902_206031446_ofoto: Celine Billard

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POSTADO PELO GIBRA NO DIA 23/05/2017 ás 10:05

Ilhas a Milhas de um Instante de Nós

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por Fred Fonseca

Bastou descobrir que cada ser humano é uma ilha para resolver entender onde ficava a sua e se isolar ali, de tudo e de todos.

Vívido após o parto da abstinência de toda a conexão e tecnologia, desenvolveu sua própria forma de viver a sós consigo. Não importava a solidão, em ausência de pessoas ficava muito bem acompanhado com seus pensamentos que pôde entender quando teve tempo para corresponder suas próprias angústias.

Foi sair do sistema, que houve uma sistemática melhora em sua qualidade de vida. Não havia mais a rotina outorgada pelo ordenado mensal. Não havia mais ordenado e muito menos ordens. Assim, não havia como comprar e isso fez a vontade de consumir sumir. Aí, agora vão perguntar como fazia para comer. Não sei dizer. Nem sei se isso tudo um dia existiu.

As molduras sempre estiveram ali, onde os quadros mais comuns fazem mais sucesso. Nem sequer gostava de pintar. Não enxergava cor. Tudo era mais simples. Tanto que resolveu simplificar mais e isso complicou tudo. Consumiu sua consciência e se ausentou do encargo de se ser, por alguns anos. Partiu em busca no entorno de si mesmo, até encontrar a entrada para aquela ilha.

Acordou após a queda. Não sabia onde estava. Não sabia como havia chegado ali e muito menos quem era. O encontro consigo havia sido o juízo final de sua moral julgada por sua consciência. E foi assim, assistindo todos os pecados que cometeu, que isolou-se na ilha que até ele mesmo, por vontade, esqueceu.

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