POSTADO PELO GIBRA NO DIA 12/01/2018 ás 10:01

Wendell Guiducci

Wendell Guiducci nasceu em Ubá e veio para Juiz de Fora há 20 anos para estudar Comunicação Social na UFJF. Por aqui já foi repórter de política, de cultura, editor de esporte, fez revistas sobre religião, história, turismo, foi quadrinista e ilustrador freelancer, e, atualmente, é editor de conteúdo do site da Tribuna de Minas, onde também publica crônicas às terças-feiras.

del-priamofoto: Fernando Priamo

Além de jornalista Del Guiducci é fundador e vocalista de uma das principais bandas de Rock de JF, o Martiataka. De 2001 para cá, a banda lançou quatro álbuns, dois EPs e um DVD ao vivo, e prepara agora mais um disco.
No ano passado lançou o livro de minicontos “Curto & Osso”, com histórias “hiperbreves”. O livro teve o poio da Lei Murilo Mendes e fez sucesso com o público. Esses minicontos continuam a ser publicados regularmente no Instagram @instantextos e também aqui na revistinha. Tem também o blog curtoeosso.blogspot.com.br. Garanto que vale a leitura de todos eles!

Del segue batalhando seu doutorado, rabiscando músicas, crônicas, histórias… e, segundo ele: “dormindo pouco”.

Se liga abaixo um bate papo rápido com esse cara que é um turbilhão de ideias:

O Gibra: Depois de 20 anos em Juiz de Fora, o que você acha que a cidade tem de melhor?

Del: O fato de ser um lugar de forasteiros faz de Juiz de Fora uma cidade muito peculiar, eu acho. Aqui tem essa coisa de “estar de passagem”, e acho que quando a gente está de passagem tem que aproveitar muito. Como na vida. Acho que esses forasteiros aproveitam muito Juiz de Fora. Só não aproveitam tanto a riqueza cultural, o que é uma pena. É muita gente de talento na música, na literatura, nas artes plásticas, no cinema. É uma cidade muitíssimo criativa.

O Gibra:Foi o Rock que te escolheu ou você que escolheu o rock? Quando?
Del: Acho que um pouco dos dois. Na minha família, o que eu ouvia na infância era Trio Parada Dura, Sérgio Reis, Manhoso. Um pouco de Roberto Carlos. Mas aí veio a onda do BRock nos anos 1980, e um tio me aplicou no Barão Vermelho, Lobão, RPM, Ultraje. Era a moda do momento, do mesmo jeito que é hoje Anitta, Pablo Vittar. Era moda mas era rock, e aquilo me fisgou. E uma coisa puxa a outra, de Barão fui pra Stones, de Stones pra Guns N’ Roses e Nirvana e AC/DC e Kiss e Sex Pistols e Ramones e blues e punk e metal e deu no que deu.
O Gibra:O que dizer sobre o Martiataka?
Del: Do meu ponto de vista particular, muito particular, é uma entidade coletiva construída ao longo de 17 anos e que colaborou de forma decisiva na formação da minha personalidade. É uma reunião de gente doida por música, doida por compor e tocar, gente que se gosta, que se admira mutuamente. O Martiataka é essa entidade que canaliza a energia criativa de quem está ou esteve ali dentro. É algo muito, muito verdadeiro, tanto quanto pode ser uma força da natureza.
O Gibra: “Curto e Osso” é um livro porreta demais. Como você se inspirou pra ele?
Del: Obrigado pelo “porreta”. Eu nunca havia ouvido falar de minicontos até 2013, quando comecei a estudar essas narrativas mínimas a partir de uma sugestão do professor e escritor Fernando Fiorese. A culpa é dele. Eu sempre me interessei pelas formas mais secas da prosa, como Hemingway e Bukowski, e Fiorese me apresentou o livro “Passaporte”, de Fernando Bonassi. Então, comecei a estudar os microrrelatos para minha dissertação de mestrado, e comecei a estudar de dentro por fora, escrevendo no blog “Curto & Osso”, para entender, a partir da teoria e da prática, as entranhas daquela forma de literatura. E daí me obriguei a publicar uma história nova a cada quarta-feira, compilei uns 170 minicontos lá e decidi – novamente com um empurrãozão do Fiorese – compilá-los no livro, que foi financiado pela Lei Murilo Mendes.
O Gibra: E a cena cultural de Juiz de Fora? Qual sua visão sobre ela?
Del: Acho fabulosa. Há muitos artistas bons, pena que há pouca gente de verdade para vê-los. Você bota mil pessoas para ver um cover ruim e não bota cem para ver um bom músico local com repertório autoral. Bota 500 para ver um stand up vagabundo e caça-níquel vindo de fora mas não bota 50 para ver uma montagem local. Há uma preguiça intelectual gigantesca em Juiz de Fora, mas não acho que seja só em Juiz de Fora, porque, proporcionalmente, não é melhor em São Paulo ou no Rio. Então não é um problema de Juiz de Fora, é um problema da nação. Mas nosso negócio é com Juiz de Fora, e o que nós temos que tentar melhorar é Juiz de Fora. A cidade nunca teve tantos espaços abertos à cultura, para expor, para tocar, para interpretar… são muitos, lugares alternativos, lugares maiores. Disso artista nenhum aqui pode reclamar. O que falta é gente para ver. Juiz de Fora virou uma cidade de público preguiçoso, que tem preguiça de pensar, preguiça de abrir-se para o novo. Então resta ao artista mostrar seu trabalho para outros artistas. Não há nada mais triste do que isso.
E pra finalizar um vídeo com muito rock pra vcs…

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