Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar

Em uma pequena cidade chamada Toritama acontece um fenômeno curioso. Quando chega a época do carnaval alguns moradores de lá vendem tudo o que têm para passar os 4 dias que se seguem perto do mar. O município, localizado no estado de Pernambuco, possui pouco menos de 40 mil habitantes e é responsável por 16% da produção de jeans do país, somando quase que 1/5 da produção nacional. O filme do diretor e roteirista pernambucano, Marcelo Gomes, retrata a rotina exaustiva dos moradores da cidade que chegam a trabalhar 15h por dia. Em busca de serem seus próprios patrões, eles acabam escravizados por um sistema que cobra uma produtividade fabril em troca de condições básicas de sobrevivência.   

Em uma entrevista filmada em Berlim durante a Berlinale 2019, Marcelo fala sobre a situação dos moradores da cidade. “Não existe mais passado em Toritama porque se acabaram os teatros, a biblioteca, a banda de música… se acabaram todos os bens culturais da cidade, porque o único bem cultural agora é o trabalho e se acabou o futuro. Não se pensa em um projeto de futuro, se pensa apenas no presente. Então, eu acho que a pergunta maior é: é possível viver só com o presente na vida?”  Os sons das maquinas são constantes ao decorrer do documentário. A vida em Toritama acontece no período do carnaval e após a quarta-feira de cinzas as rotinas exaustivas voltam e os moradores aguardam até a chegada dos próximos dias de folia. Mesmo assim, fala-se com alegria sobre o dia-a-dia na cidade porque ao fim de cada dia as pessoas tem o que comer. O que devia ser um direito básico, se tornou uma enorme recompensa. Durante 1h25min o filme mostra a situação de um Brasil que podemos não conhecer de perto, mas que cresce diariamente.  Vale muito, muito a pena assistir! ps:  tem na Netflix! 

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